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IFMA capacita mulheres para o mercado de trabalho em Caxias

Iniciativa acontece por meio do Programa Mulheres Mil e beneficia 32 alunas.
  • Com informações do Campus
  • publicado 17/07/2019 17h26
  • última modificação 17/07/2019 17h26

O curso é dividido em módulos teóricos e práticos.

O Instituto Federal do Maranhão (IFMA) Campus Caxias está ofertando, por meio do programa Mulheres Mil, desde fevereiro, o curso “Como transformar frutas e hortaliças em um negócio lucrativo: produção de doces, geleias, compotas e outros produtos”. O curso, selecionado pelo edital de Fluxo Contínuo da Pró-Reitoria de Extensão do IFMA, é coordenado pela professora Janmylla Gomes Ribeiro. Ela frisa que o foco é no desenvolvimento das cadeias produtivas da região de Caxias, através de incremento de ações que possibilitem o aumento da produção, difusão de novas tecnologias e incentivo à agroindustrialização e comercialização de produtos maranhenses na perspectiva de promover o desenvolvimento econômico a partir das cadeias produtivas e do empreendedorismo.

O curso é dividido em módulos teóricos e práticos. A manhã do último sábado (13) foi de prática com o professor João da Paixão. Elas aprenderam sobre processamento da polpa de abacaxi e doces. As técnicas de manipulação de alimentos com higiene e segurança também foram ensinadas. As atividades foram acompanhadas por Francisco Wenner de Sousa, técnico em alimentos e laticínios, e estudantes do curso técnico em Agroindústria (EJA). “Essas 40 mulheres estão escrevendo novos capítulos em suas vidas desde que decidiram participar do Programa Mulheres Mil”, destacou João da Paixão, que também é diretor-geral do Campus. À tarde, a aula foi com a professora Lucíllia Rabelo, que tem mestrado e doutorado em Ciências pelo programa Ciência dos Alimentos da Universidade de São Paulo (USP).

Distância não diminui vontade de estudar

As sextas-feiras e sábados das alunas giram em torno de discussões e novos aprendizados sobre direito, saúde, marketing, cidadania, empreendedorismo, educação, capacitação, profissionalização e geração de renda. Quem está aproveitando essa oportunidade é dona Esmeralda Ferreira Correia. Ela mora na zona rural em um povoado que fica a mais de 20 quilômetros do IFMA.  As horas que dona Esmeralda e mais 13 mulheres viajam do povoado Jacurutu e adjacências até o Campus Caxias não diminuem a vontade de estudar. “Quando soube do curso através da Secretaria da Mulher e do Sindicato, vi uma oportunidade de aprender novas técnicas de processamento e beneficiamento do que temos na comunidade. Após a conclusão, vamos ensinar tudo para os demais moradores”, disse.

A oportunidade aprender a aproveitar o que produz chamou a atenção de Maria Célia de Sousa Conceição. Ela mora em um povoado um pouco mais distante que o de dona Esmeralda. “Nós produzimos muito em nossas terras. Muitas vezes, algumas coisas não são bem aproveitadas. Agora, essa realidade vai mudar”, declarou.

“O curso tem muitos objetivos, mas um dos principais legados tem sido levar novamente à sala de aula mulheres que tinham vontade de aprender e de modificar as suas realidades”, disse a coordenadora Janmylla Gomes.

Mercado de trabalho

Após a conclusão dos cursos, uma demanda do Programa é a inserção no mercado de trabalho, em um cenário econômico em que o índice de desemprego chega a 12,4%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) – Contínua.

Josianne Celestino dos Santos Costa Lima não esperou o curso terminar para colocar em prática o que está aprendendo no curso. “O curso está sendo maravilhoso”, avaliou a aluna. “Quando comecei, eu estava desempregada. Então, quando comecei a estudar, tive a ideia de empreender e comecei a vender sobremesas. Tudo está indo bem e estou vendendo pelo Instagram e WhatsApp. Faço vendas no varejo e já tenho alguns restaurantes que passamos em valor de atacado. Não pretendo deixar de investir e desenvolver ainda mais o meu negócio”, disse Josi, como é conhecida pelas clientes.

Silvanda da Silva, além de participar do curso, é aluna do técnico em Vendas, ofertado na forma Integrada ao Ensino Médio, na modalidade Educação de Jovens e Adultos. Ela já tem em seu portfólio o curso “Cuidador de Idosos”, também ofertado pelo programa Mulheres Mil, e já atua na profissão. “Está sendo muito difícil conciliar as atividades do curso com a rotina de trabalho, mas de forma alguma pretendo desistir”, confessou.

Segundo a coordenação do projeto, ainda não há ações formalizadas de mapeamento de postos de trabalho. Mas, a professora Janmylla Gomes observa que “a maioria das alunas tem como objetivo produzir em casa para vender sob encomenda”.

Interação entre os professores e alunas enriquece a formação

“Em todos os momentos propostos, a interação entre os professores e alunas é enriquecedora”, comemora Janmylla Gomes. “Com relatos e testemunhos de vida muito fortes, elas demonstram a força e a perseverança da mulher que vive inúmeras situações de vulnerabilidade”, destacou a coordenadora do Programa.

Akyra Brasil dos Reis Souza é aluna do curso bacharelado em Ciência da Computação e ex-aluna do curso técnico em Manutenção e Suporte Informática (Campus São Luís – Monte Castelo). No curso de Ciência da Computação, ela participa do Bits de Ada, iniciativa que divulga a área de computação e suas tecnologias para despertar o interesse de alunas do ensino médio. “O Bitis de Ada também visa manter a motivação das atuais alunas dos cursos de bacharelado em Ciência da Computação e técnico em Informática do Campus Caxias”, complementa. Ela encontrou similaridades entre Programa Mulheres Mil Bits de Ada. “Os dois promovem a formação e elevação de escolaridade de mulheres. Além disso, possibilitam o despertar das alunas para o empreendedorismo, a autoestima e o empoderamento”, apontou ela. Akyra afirma que buscou o curso também motivada por questões familiares. “Minha família veio do interior, meus avós ainda moram por lá. Meu pai tem essa cultura de plantio, e em casa temos várias frutas. Então, quero aprender a utilizá-las melhor”, frisou. “A experiência no curso está sendo maravilhosa. Já aprendi muito, não só o conteúdo do curso, mas sobre a vida. Os relatos das mulheres que estão no curso me ensinaram bastante. São mulheres fortes, inteligentes e me ensinam coisas que jamais poderia aprender em outro local”, declarou. Ela destaca a qualificação dos professores como um fator positivo. “O IFMA acertou na escolha dos profissionais. Todos deram um show, as aulas estão sendo maravilhosas. Todas ficamos encantadas com os professores, com o conteúdo”, frisou a aluna.

A coordenadora do projeto no Campus ressalta que a iniciativa oferece não só a formação para o trabalho, mas uma formação integral. “A caminhada está sendo árdua, mas até agora vencemos todas as barreiras, pois o grupo é unido e juntas vamos aprender e sempre buscar entender que não somos apenas um ser produtivo, mas um ser humano. O curso vai fazer com quem cada uma se forme e transforme”, destacou Janmylla, acrescentando que ao final do curso, além da certificação, a coordenação pretende promover uma exposição dos produtos produzidos pelas alunas.

O diretor de desenvolvimento educacional, professor Raimundo Filho, já atuou no curso ministrando a disciplina de Marketing Pessoal e Orientação Profissional.  Ele reconhece o papel transformador do Programa. “Sempre que ofertamos cursos pelo Mulheres Mil, sinto que ele desperta sonhos das mulheres que estavam adormecidos. Ele renova e transforma vidas”, concluiu.

Sobre o Programa

O programa Mulheres Mil foi implementado em 2007 pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC), em 12 estados, por meio de um sistema de cooperação entre os governos brasileiro e canadense. Em 2011, com a edição da portaria nº 1.015/2011 do MEC, ele se transformou em programa de cobertura nacional, passando a ofertar, além de cursos de formação inicial e continuada (FIC) e qualificação profissional, a educação profissional técnica de nível médio.

A proposta do programa Mulheres Mil no IFMA é viabilizar o acesso de mulheres em situação de vulnerabilidade social à qualificação profissional com vistas a elevação de escolaridade, inserção no mundo do trabalho, a equidade de gênero e a redução das desigualdades sociais. O programa valoriza, ainda, os saberes individuais e coletivos, incentivando o empreendedorismo e consequentemente a conquista de sua autonomia.

 

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