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Estudantes do IFMA apresentam resultados de pesquisa no Uruguai

Pesquisas foram desenvolvidas por estudantes de Ciências Biológicas do Campus Caxias.
  • Assessoria de Comunicação
  • publicado 21/10/2019 09h15
  • última modificação 21/10/2019 09h15

Entre os dias 7 e 11 de outubro, quatro estudantes do curso de licenciatura em Ciências Biológicas do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) Campus Caxias participaram XXII Congresso Latino-Americano de Ciência do Solo, em Montevidéu, Uruguai. O evento reuniu pesquisadores, professores, estudantes e cientistas, com o objetivo de proporcionar um espaço de intercâmbio e discussão a todos os atores da sociedade ligados ao estudo, uso, manejo e cuidado do solo. O Congresso, que teve o tema “Diversidade produtiva: pilar do manejo sustentável do solo”, foi realizado pela Sociedade Uruguaia de Ciência do Solo (USCS), Sociedade Latino-Americana de Ciência do Solo (SLCS), Faculdade de Agronomia da Universidade da República (FAGRO-UDELAR) e do Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola (INIA) do Uruguai.

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Nos quatro dias de evento, foram apresentados trabalhos científicos e tecnológicos, oralmente ou em pôsteres, além de palestras de renomados especialistas em níveis nacional e internacional. Os estudantes Domingos Cardoso dos Santos Júnior, João Vitor Soares Morais, Maria da Conceição Borges dos Santos e Roniclecia Figueredo e Silva apresentaram projetos de pesquisas desenvolvidos através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), sob orientação da professora Régia Maria Reis Gualter.

Na avaliação de João Vitor Morais, o Congresso possibilitou o reconhecimento e divulgação científica, além de ampliar o conhecimento dos pesquisadores iniciantes presentes ao evento. “O evento nos abriu novos horizontes no ramo da ciência”, ponderou o aluno. “Está entre mestres ou doutores nos incentiva a alcançar um patamar semelhante. Além disso, a participação estabelece amizades além das fronteiras para divulgarmos nossos trabalhos e o que fazemos aqui no IFMA”, destacou Morais, que é integrante do Laboratório de Solos, Água e Planta (LASAP) do Campus Caxias.

“É uma satisfação ver o resultado das pesquisas serem divulgadas a nível internacional”, comemora Raimundo Filho, diretor de desenvolvimento educacional, destacando que o evento possibilitou a troca de informações, favorece a discussão de estratégias de pesquisa, a cooperação e o desenvolvimento de interesses comuns.

 

As pesquisas

Ocorrência e levantamento de minhocas em ambientes natural e alterado no leste maranhense

As minhocas são um dos principais organismos do solo que atuam em inúmeros processos necessários à saúde e qualidade do solo, tais como, a produção de húmus, matéria rica em nutrientes que atuam no crescimento das plantas, auxiliando também na aeração das raízes das plantas através das escavações em formas de túneis, além de serem usadas na produção de cosméticos e na culinária. Analisando a importância desses animais, João Vitor Morais fez um levantamento de minhocas em ambientes natural e alterado, em Caxias/MA, para investigar a riqueza e diversidade desse grupo de animais existentes nas duas áreas. Dessa forma, ele fez um trabalho taxonômico com as espécies encontradas para posterior divulgação dos dados coletados, como foi feito no Congresso.

Segundo o aluno, o levantamento foi realizado em três áreas do município: áreas de capoeira e pastagens do IFMA; áreas conservadas e alteradas na Área de Proteção Ambiental do Inhamum e em áreas de florestas e áreas alteradas do povoado Santa Teresa. “As minhocas foram coletadas no período chuvoso durante dois meses de fevereiro e março, sendo utilizado o método de escavação. Após, foram feitas também análises qualitativas de cada área e ponto coletado”, complementou Morais. “Através das coletas, as minhocas mais encontradas foram as pertencentes aos gêneros de Rhinodrilus e Pontoscolex corethrurus da família Glossoscolecidae. Mas, algumas das minhocas encontradas ainda estão sendo identificadas”, frisou. Para justificar o levantamento, João Vitor Morais destaca que na região Nordeste há poucos registros sobre minhocas. “Os registros que temos mais próximos são da área de proteção do Gurupi, no norte do estado. Assim, esses materiais servirão como base para novos estudos e consequentemente para o conhecimento de todos, principalmente de produtores, agricultores e pesquisadores que usam as minhocas para diferentes finalidades”, concluiu o aluno.

Levantamento de besouros scarabaeina em solo em cerrado maranhense

Desde de 2018, o aluno Domingos Cardoso dos Santos Júnior se dedica a pesquisa sobre os besouros da subfamília Scarabaeinae (Scarabaeidae), popularmente conhecidos como rola-bostas. “Eles apresentam várias características que são altamente apropriadas para os estudos ecológicos, nomeadamente porque ocorrem em altas densidades, são funcionalmente diversos nas redes alimentares, sensíveis à paisagem e aos hábitos de habitação, além de fornecerem medidas baratas e fáceis para monitoramento ambiente”, frisa o aluno, acrescentando que fez um levantamento faunístico em ambientes de pastagem, capoeira e mata nativa, com a finalidade de conhecer a abundância, riqueza e composição de espécies de Scarabaeinae em Caxias.

Ele explica que as coletas da pesquisa aconteceram durante os meses de agosto e setembro na Área de Proteção Ambiental do Inhamum, uma unidade de conservação caracterizada como um cerrado natural, e em duas áreas, sendo uma de capoeira e outra de pastagem no IFMA, que foram caracterizadas como cerrado antropizado. “Foram encontradas nas áreas pesquisadas, um total de 129 indivíduos, sendo 116 no cerrado natural e 13 no Cerrado antropizado, sendo, ao todo, distribuídos em 6 gêneros e 8 não identificados, 8 espécies e 3 não identificados de Scarabaeinae”, explica Domingos Junior. “Dos seis gêneros encontrados, Dichotomius foi a melhor representada no estudo com cinco espécies e uma não identificada, seguida da Ateuchus com dois gêneros e uma espécie não identificada”, afirmou o aluno.

A pesquisa mostrou que o cerrado natural apresentou maiores valores de indivíduos por armadilha por dia das riquezas total e média e dos índices ecológicos quando comparado ao cerrado antropizado. “Essa maior diversidade pode ser explicada pela melhor oferta de recursos e preservação de habitat, garantindo assim a presença de uma maior diversidade de animais”, afirmou. Na avaliação de Domingos Junior, o cerrado antropizado em função da intensidade de uso nos sistemas presentes pode ter impossibilitado a permanência ou condições de sobrevivência da fauna de escarabeídeos, já que foram observados apenas dois gêneros. “O cerrado natural apresentou melhor condição ambiental para o desenvolvimento das espécies de Scarabaeidae. Os gêneros Dichotomius e Ateuchus foram os organismos mais abundantes nas áreas estudadas”, concluiu o aluno.

A microbiologia do solo no Ensino Fundamental de Caxias

No evento, Maria da Conceição Borges dos Santos apresentou o resultado de um projeto que desenvolveu estratégias de ensino diferenciadas na abordagem da microbiologia do solo com estudantes do Ensino Fundamental da escola Professor Arlindo Fernandes de Oliveira. “O estudo da microbiologia do solo é de suma importância para a sociedade, uma vez que é através do estudo dos microrganismos que são feitos os mais variados itens, que vão desde os dos comestíveis até medicamentos. Isso eleva ainda mais a seriedade do estudo e aprendizagem e o quão sua permanecia no nosso dia a dia é relevante”, ponderou a aluna.

Ela explica que inicialmente foram aplicados questionários aos professores e alunos, contendo perguntas abertas e fechadas, relacionadas aos seguintes aspectos: dificuldades na aplicação de metodologias alternativas, avaliação de atividades lúdicas, como metodologia de aprendizagem e sugestões de métodos utilizados rotineiramente no ensino de Ciências. “Em um segundo momento, utilizamos diferentes recursos didáticos para abordagem dos conteúdos, tais como a explanação dialogada, ilustrações, cartazes e vídeos para exposição do conteúdo aos estudantes, produção de desenhos pelos estudantes, além de verificações in loco nos arredores da escola para a compreensão da diversidade de microrganismos presentes no ambiente de convivência dos discentes”, explicou a aluna.

Com os dados dos questionários em mãos, Maria da Conceição dos Santos analisou os resultados. “Ficou claro que a microbiologia do solo não está inserida na sala de aula como deveria, deixando os alunos das séries inicias sem conhecimentos prévios”, alertou a aluna.

Atributos microbiológicos em sistemas de uso e manejo do solo no leste maranhense     

“Os atributos microbiológicos são importantes agentes na avaliação da qualidade do solo, já que apresentam sensibilidade e rapidez na detecção de alterações ocorridas a partir, das práticas de utilização e gestão do solo nos sistemas naturais”, explica a aluna Roniclecia Figueredo e Silva, que também apresentou trabalho no Congresso.

A aluna desenvolveu pesquisa a partir de amostragem de terra em três áreas: capoeira, mata nativa e cultivo agrícola, nas profundidades de 0,0 -10,0 e 10,0-20,0 cm e de 0,0-20,0 cm para as análises das propriedades microbiológicas e químicas, nessa ordem. “A ideia foi identificar se os indicadores de qualidade do solo utilizados foram influenciados pelo uso e gestão do solo em áreas localizadas em Caxias”, explicou.

“Na época seca os sistemas de manejo de pastagem e área agrícola obtiveram os maiores aportes de carbono da biomassa microbiana na profundidade de 0-10 cm. Enquanto que para os mesmos sistemas, o nitrogênio da biomassa microbiana foi maior na profundidade de 10-20 cm”, disse a aluna se referindo à conclusão da pesquisa. “Foram obtidas correlações positivas entre o carbono da biomassa microbiana e relação carbono (C)/nitrogênio (N) – c/n – microbiana em ambas as profundidades e correlação negativa entre nitrogênio da biomassa microbiana e relação c/n microbiana. O carbono e nitrogênio da biomassa microbiana se relacionaram bastante com a pastagem”, destacou.

A pesquisa mostrou que na época chuvosa a área agrícola apresentou maiores valores para respiração do solo em ambas profundidades. Enquanto a área nativa mostrou incrementos no carbono da biomassa microbiana, especialmente na profundidade de 10-20 cm. “O quociente metabólico esteve muito relacionado à área nativa na profundidade de 10-20 cm, enquanto o carbono da biomassa microbiana foi correlacionado a área agrícola” frisou.

A aluna espera que a partir do estudo práticas inadequadas que geram consequências danosas ao solo, possam ser diminuídas, favorecendo a manutenção de sistemas produtivos e possibilitando a conservação do ambiente como um todo.

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